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sexta-feira, 12 de maio de 2017

"Que é arte, que é beleza, que é finalidade?"

Fátima Seehagen - bico de pena

Rosário Fusco em 1952 já levava o artista a pensar quando ao mesmo tempo em que afirmava que "A beleza é a finalidade da arte", perguntava: "Que é arte, que é beleza, que é finalidade?Chega-se aí, ao meu ver, à finalidade tanto da beleza, quanto da estética e finalmente da arte.

Fátima Seehagen - aquarela

A ideia geral de beleza estética, entendida socraticamente como produto do espírito, está ligada ao bem, e sendo assim, em si e por si, é absoluta e eterna. Entretanto, o conceito histórico de estética é limitado na medida em que se agrega a uma beleza pré-determinada, pois o elemento particular de cada beleza advirá de conceitos particulares e aí teremos uma beleza sempre singular, mas com uma  finalidade múltipla.


A estética é um fenômeno de relação entre o artista e a sua obra, entre o homem e suas formações, livre de conceitualizações, pois ambos se movem, no tempo e no espaço. 


A ética, considerada aqui como estética da existência, terá todos os seus conceitos ligados definitivamente à arte e podemos mesmo dizer que será também variável de acordo com os padrões morais e de beleza de cada um. A arte por sua vez, não encontrará a sua principal razão de ser nem nas sensações que provoca nem no seu conceito. Por isto, antes de mais nada, não poderá aceitar uma estética pré determinada, perfeitamente orgânica e lógica, e por isto mesmo, para o artista, asfixiante e enceguecedora.

A criança, assim como o esquizofrênico e o artista, ao contemplarem algo novo, sentem uma renovada e desconhecida emoção. De maneira construtiva, de dentro para fora, movidos alguma vezes por impulsos, se colocam a expressar o belo, na sua maneira de ver, com uma estética totalmente particular, desenvolvendo assim o seu ponto de vista ético e social. Toda a questão estará então em não confundir a essência absoluta da arte com as suas formas que são aí particulares, relativas e transitórias: para cada sensibilidade um espaço e um tempo; em cada espaço uma sensibilidade por um tempo e a cada tempo uma sensibilidade expressa em cada espaço.

A aplicação então, da arte como recuperação do potencial ético de uma sociedade, quando esta mesma arte se presta a expressar a realidade de grupos distintos, será tanto mais louvável quanto maior for o envolvimento dos orientadores em esclarecer o processo criativo e aproveitá-lo em suas funções organizacionais de uma sociedade.

-   Criar um espaço, intimamente ligado com o seu tempo, sem dissimular realidades, mas ocupando-se delas e transformando, através da expressão do ser, o próprio ser humano. Ocupando-se dos novos conceitos gerados aí para que, no fortalecimento da estética vigente, possa-se fortalecer uma ética universal, longe de uma cultura caótica que esquece o artesanato empobrecendo o fazer artístico universal.

Como Mário de Andrade, tantas vezes citado, “eu não sei o que é belo e nem o que é arte” mas, certamente sei que é belo acreditar que através da arte podemos construir uma sociedade melhor, tanto ética como esteticamente falando.

Fátima Seehagen - aquarela

segunda-feira, 20 de março de 2017

Quero vender meu trabalho - 'Tenho que fazer uma exposição?'

Uma obra só está concluída no momento em que o público visita o espaço de exposição. 
Uma exposição é a exibição pública de objetos organizados e dispostos com o objetivo de comunicar um conceito ou uma interpretação da realidade. Pode ser de caráter permanente ou temporário, fixa ou itinerante. Considerando que um mercado depende de um produtor, um produto a ser trocado ou vendido e um consumidor interessado em adquirir ou usufruir tal produto, podemos concluir que o mercado de arte é tão remoto quanto a própria arte.

Se você está decidido a levar adiante a sua carreira, você pode maximizar suas chances de ser visto e respeitado adotando uma postura profissional e preparando o melhor pacote de divulgação que você puder.

Participar de uma exposição profissional possibilita ao artista uma das melhores maneiras de estar cara a cara com muitos observadores, admiradores e críticos, num curto período de tempo. As exposições não apenas lhe dão a oportunidade de mostrar seu trabalho e descrever sua técnica, como também criam o ambiente ideal para a análise/admiração da obra.


Se você deseja que suas atividades em uma exposição profissional tenham sucesso, precisa estabelecer alvos específicos e mensuráveis. Por exemplo:


1.   Por que estou expondo?
- Está colocando sua arte no mercado?
- Está gerando contatos adequados para vendas?

2.   Qual é sua clientela alvo?
- Investidores?
- Jornalistas especializados em arte?


3.     O que quer lucrar com a exposição?

Em termos gerais, a estrutura liberal domina o mercado artístico até nossos dias: o artista agora é um profissional livre portador de uma mercadoria e precisa, como todos os outros profissionais liberais, do mercado para sobreviver. No entanto, no decorrer dos anos, tal estrutura foi incrementada com uma série de novas instâncias que fazem o papel de mediadores e orientadores do comprador. Atualmente galerias, revistas especializadas, a crítica de arte, os curadores e os museus, são alguns dos importantes elementos intermediários entre o artista e seu público consumidor. Como tal, o mercado de arte está ligado à situação econômica geral, o que em alguns momentos gera uma extrema vulnerabilidade material para os artistas. Apesar disso, ele se configura como uma das instâncias fundamentais para o sistema moderno de circulação de arte.

O artista, desde o início da divulgação da sua obra, deve primar nos cuidados com a mesma, no sentido de valorizá-la. As GALERIAS são os espaços preferenciais para exposições de arte - um espaço dedicado exclusivamente para arte nas suas mais variadas expressões, linguagens e técnicas.

Para o artista iniciante, ter um marchand é uma boa alternativa. Estes geralmente estudaram artes, e, obrigatoriamente, devem ter um bom conhecimento sobre a disciplina, cultura e mercado. 

A função de um marchand é vender os quadros de outros artistas. Eles sabem exatamente onde cada tipo de obra terá sucesso.


 A conquista de um espaço para expor as obras, a obtenção de patrocínio e de destaque na mídia são os principais fatores que dificultam a divulgação da obra de um artista em início de produção. No entanto, para um artista ser reconhecido ele precisa mostrar seu trabalho num espaço que o legitime, e também da cobertura da mídia. Depois, sua obra não terá limites.

 leilões de arte

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Qual o limite da Arte? (II)

Claude Monet
Ainda tentando desvendar os limites da arte.

- Você sabia que foi a  partir do Impressionismo (1874) que começaram a ser observadas tendências cada vez mais acentuadas ao abstracionismo? Apesar do seu realismo visual, baseado exclusivamente na sensação ótica, o Impressionismo não deixa de possuir certo conteúdo de abstração, porque ignora ou se abstrai de outros elementos da realidade, para deter-se apenas nos aspectos luminosos. 

Van Gogh, embora figurativo,  deformava as imagens da realidade para exprimir afinal verdadeiras abstrações, isto é, os seus estados íntimos, as suas relações afetivas diante da realidade. 



van Gogh

Por outro lado, a própria concepção da pintura de Cézanne, nos seus fundamentos, também é abstrata. Reparem que na preocupação de simplificar as formas, reduzindo-as aos seus elementos geométricos básicos, Cézanne não estava traduzindo sensações óticas diretas, mas conceitos intelectuais das formas da natureza. Praticamente se abstraía da sensação ótica realista. Por sua vez, o Cubismo não é um realismo visual, mas um realismo intelectual. O pintor expressa um conhecimento da realidade aprendido não pelos sentidos, mas pela inteligência. Como os cubistas, também os futuristas podem ser considerados abstratos de segundo grau ou simplesmente abstratizantes.



 Através dos próprios fatos artísticos, o caminho do abstracionismo veio sendo assim preparado desde o Impressionismo. Vários artistas na Europa faziam pesquisas no plano da abstração, isto é, no plano da criação de formas e cores, sem relação com as imagens das realidades exteriores. Os historiadores e críticos concordam, porém, em atribuir a primazia dos resultados nas pesquisas abstracionistas ao pintor Vassily Kandinsky. Seria o abstrato o limite? Como, se a abstração não tem limites!

Vassily Kandinsky